Por Andréa Monteiro

Uma família sentada ao redor da mesa se reúne para celebrar o Natal. Entre o esperado peru, que a mãe prepara exclusivamente nesta data, e animadas conversas, eles se dão conta de que este momento merece acontecer não apenas uma vez por ano. E estabelecem a mais nova tradição da família: o Natal de abril, agosto e dezembro…

A alternativa bem humorada desta família ilustra uma estratégia simples e eficaz para cuidarmos de nossa saúde emocional: buscar coisas que nos fazem sentir bem – independente do período do ano.

É comum encontrarmos referências ao fim do ano como um período de sobrecarga, com o “balanço” de conquistas e expectativas (individuais ou coletivas), a constatação ou concretização de perdas, o encerramento de várias atividades – ao menos para quem vive ao Sul do Equador –, a confraternização com diferentes grupos e uma grande demanda de consumo. Encerramos, de certa forma, um ciclo para poder iniciar outro, o que nos convida também a fazer novos planos, buscar novas estratégias e impulso para eventuais mudanças. E por isto é natural que seja um período intenso, que nos coloca em contato com muitos sentimentos (agradáveis e/ou desagradáveis) e que pode gerar, inclusive, estresse.

Mais do que saber administrar a sobrecarga do final do ano ou períodos de grande estresse, no entanto, cuidar da saúde emocional é um exercício contínuo, que exige o desenvolvimento e treino de diferentes habilidades – assim como fazemos para cuidar da nossa saúde física.
O programa Amigos do Zippy tem como objetivo desenvolver habilidades emocionais e sociais importantes para a saúde emocional. Nele, as crianças são incentivadas a cuidar de si, identificando e nomeando seus sentimentos e, em seguida, aprendendo a lidar com sentimentos desagradáveis – como tristeza e raiva – buscando formas de se sentir melhor.

Dentre outras habilidades, o Amigos do Zippy também contribui para que as crianças possam entender as situações e problemas que encontram, considerando se são coisas que podem mudar ou não. Nos casos em que podem mudar a situação, elas devem pensar em muitas estratégias para resolver o problema, analisando consequências e escolhendo a mais adequada naquele momento. Por outro lado, nos casos em que não podem mudar, elas aprendem que, ainda assim, existem formas de se sentir melhor.

Se o seu “balanço” de fim de ano trouxe à tona uma situação difícil ou um problema ou se você se sente convidado a cuidar de sua saúde emocional neste momento, considere então refletir sobre o que sente. Você consegue nomear este sentimento? E identificar algo que possa ajudá-lo a se sentir melhor? Cada um de nós possui alternativas diferentes, mas elas podem ser simples, como ir ao cinema, conversar com alguém ou simplesmente respirar profundamente…

Em seguida, você pode analisar a situação que desperta este sentimento: é algo que você pode mudar ou não? Se sim, procure levantar todas as alternativas possíveis, considerando as consequências de cada uma de suas opções. Assim você aumentará suas chances de encontrar a “saída” mais apropriada. Mas se não for possível mudar, você pode continuar buscando formas para se sentir melhor.

Este exercício parece útil para você?

Cuidar de nossa saúde emocional, na perspectiva do programa Amigos do Zippy, exige sobretudo consciência de que temos sempre muitas alternativas – seja para lidar com nossos próprios sentimentos, seja para encontrar soluções para nossos problemas. Mas, para isso, é preciso estar atento ao que sentimos, buscar ampliar nossas estratégias e experimentar novas possibilidades para cuidar de nós mesmos, das nossas relações e dos problemas que surgem. Vale até mesmo criar novas datas para seu Natal….!

Embora simples, este processo nem sempre é fácil de implementar em nossas rotinas, cada vez mais atribuladas e corridas. Mas, quanto mais exercitamos, mais prática vamos adquirindo para lidar com o que nos desafia e para nutrir o que nos faz bem – o ano inteiro!

Saúde!

Andréa C. Monteiro, é psicóloga, mestre em Saúde Pública pela Fundação Oswaldo Cruz, atua na área de Educação Emocional há 14 anos