O importante é ser gentil com o seu processo
Para promover saúde mental e emocional, Maria Eduarda fala sobre emoções e sentimentos de jovem para jovem

Raiva, frustração, medo… A gente costuma aprender que esses sentimentos são negativos ou que não deveríamos nos sentir assim. Mas a questão é: nós nos sentimos assim! “Perceber que tudo bem ficar triste, frustrada, foi uma coisa muito nova pra mim”, é o que a Duda comenta sobre a sua aproximação com o trabalho da ASEC Brasil. Ela conta que trabalhar pela promoção da saúde mental de jovem para jovem exige atenção às delicadezas para entender sobre o que se passa dentro de cada um de nós. Delicadeza, por exemplo, em perceber que é possível falar sobre situações desafiadoras ou nomear sentimentos desagradáveis “sem se sentir uma pessoa ruim ou uma pessoa menos boa”.

A Duda, ou Maria Eduarda Paes Ramos, tem 21 anos e mora em Dourados, no Mato Grosso do Sul. Ela é estudante de Relações Internacionais pela Universidade Federal da Grande Dourados e está quase formando. Atua como volunteer leader do Mato Grosso do Sul no projeto #tmjUNICEF, como embaixadora do projeto Saúde Planetária da USP e como diretora de comunicação do site Dois Níveis. Desde o final do ano de 2020, a Duda está vivenciando o que ela chama de “processo” de aproximação com as práticas de promoção de saúde mental e emocional promovidas pela ASEC Brasil | Movimento Saber Lidar, organização na qual ela trabalha como estagiária. Atualmente, ela tem se empenhado muito no desafio de convidar mais jovens a falarem sobre o assunto, de forma aberta e sem julgamentos. Ela explica que o engajamento com esse tema “é um desafio porque os jovens estão precisando de espaços de escuta e de acolhimento” mas ainda olham para isso com estigma ou com desconfiança. Ao falar de jovem pra jovem, isso gera mais identificação”.

Na experiência da Duda foi mais ou menos assim: ao debater sobre saúde mental e emocional e entender sobre sentimentos e emoções, muita coisa foi mudando na sua vida pessoal e nos projetos dos quais ela faz parte. “No projeto Dois Níveis, por exemplo, eu tenho tomado mais cuidado com o pessoal que trabalha comigo, principalmente com o COVID-19 agora. A galera, cada um, conhece alguém que ficou doente, e a gente pergunta ‘tá tudo bem?’, ‘vi que você não apareceu essa semana’, ‘tá tudo bem com você?’, ‘se você precisar de um tempo…’, ‘estou atarefada’, ‘ok, acontece’. Sabe? Eu vejo que isso tem refletido na minha vida pessoal porque antes eu não tinha muito esse cuidado. A gente só chegava, programava o trabalho e fazia. Hoje eu tenho mais cuidado com a saúde emocional das pessoas que fazem parte da equipe”.

Por isso, a Duda reforça aquilo aprendeu no Guia do Autocuidado produzido pela ASEC em parceria com o UNICEF: ser gentil com o seu processo. Porque é um processo mesmo. “Lidar com sentimentos e emoções é algo que não acaba nunca, mas “conseguir nomear isso, com certeza já altera muito”.

As delicadezas

“Saúde Mental e Emocional são assuntos delicados porque não tem como fazer isso sem olhar para dentro de si. Exige um cuidado de falar sobre isso oferecendo suporte, oferecendo o melhor conteúdo. Estar bem preparada para poder comunicar com o outro mexe com muita coisa dentro da gente. Tem uma delicadeza em falar sobre isso para evitar os gatilhos emocionais”.

As delicadezas de uma pétala de rosas ou de uma taça de cristal nos convidam ao cuidado, ao zelo. E parece ser sobre isso que a Duda nos ensina. A delicadeza de olhar para as emoções, para os sentimentos e para as experiências individuais com os cuidados que elas carecem. Quando estamos falando de jovens, em todas as suas diversidades, é importante ter atenção ao que é delicado para cada pessoa. “Quando não tem o que comer na mesa, falar sobre sentimentos é a última coisa que um jovem está preocupado. E é um desafio comunicar com diferentes jovens porque os contextos criam desafios dos mais diversos”.

É com delicadeza também que Duda percebe um aspecto sutil de estar saudável mental e emocionalmente. Para algumas pessoas, a saúde mental e emocional podem parecer pouco relevantes mas, na verdade, são fatores impulsionadores para a vida de jovens. A Duda explica, por exemplo, que não basta se deparar com oportunidades, mas que é preciso estar confortável para acessá-las. Nesse aspecto, a saúde mental e emocional são cruciais. Jovens precisam se permitir errar, falhar, ir com medo, aprender, arriscar. Tudo está muito conectado.

Foi assim que uma oportunidade levou a Duda por caminhos que nem ela sabia que existiam. “Eu quase não me inscrevi para o #tmjUNICEF. É o UNICEF, é muito grande. Senti medo. Medo de não saber, por ser a minha primeira experiência. Mas, por estar no formato online, eu pensei ‘quer saber, eu vou’”. E essa experiência foi alavancando muitas outras. Entre elas, este primeiro trabalho “formal” como estagiária de comunicação e marketing da ASEC Brasil | Movimento Saber Lidar. A Duda já falou um pouco sobre isso, veja aqui.

Conheça também o Guia do Autocuidado que a Duda citou e o projeto Dois Níveis, que existe para democratizar o acesso ao conhecimento das Relações Internacionais.