Por Maria Eduarda Paes Ramos

Os ambientes de trabalho se configuraram de diferentes formas, com a pandemia o home office ganhou ainda mais espaço. O Brasil atualmente ocupa o 3° lugar no ranking de países onde o home office mais cresce. Sabe-se que a produtividade nessa forma de trabalho aumenta, porém pode haver uma dificuldade em encontrar o equilíbrio entre a vida pessoal e o trabalho, assim torna-se necessário o entendimento e a prática do que vou nomear por “home off”.

A NOZ Pesquisa e Inteligência em parceria com o Instituto Bem do Estar, realizaram entre maio de 2020 e fevereiro de 2021 um mapeamento chamado “Saúde da Mente & Pandemia” que mostra que 65% dos profissionais se encontram mais estressados durante o período de pandemia, (71%), estão excessivamente preocupados (70%), desanimados (56%), os que se encontram emotivos mais sensíveis são ao todo (65%). Além disso, há uma preocupação com as pessoas que ocupam cargos de liderança que se encontram mais esgotadas psicologicamente.

O nosso lar representa conforto, aconchego e descanso. Com a inserção do ambiente de trabalho em casa, que se adapta e ocupa espaços como o quarto, sala e/ou a varanda, lugares que antes eram considerados espaços para desconexão, se tornam um ambiente onde o trabalhador passa boa parte do dia produzindo, ansioso, estressado ou ainda inquieto na busca por resultados, sentimentos esses que são intensificados durante a pandemia. Para onde ir quando chega o fim do expediente se não há outro lugar? Como se adaptar a essa nova realidade enquanto não podemos nos refugiar e nos sentirmos seguros fora de casa?

É importante levar em consideração que somos indivíduos, o que significa ser único com suas particularidades e necessidades. Se olharmos para dentro de nós e nos apartarmos por um minuto de nossas metas, entregas e cobranças (nossas e dos outros), voltamos a nos enxergar apenas como seres que necessitam praticar o autocuidado. Cuidados com a mente e o corpo nos ajudam a exercer nosso trabalho e cumprir nossas responsabilidades, sem peso ou sobrecarga. Por isso, é essencial encontrar um equilíbrio entre o que somos e o que são nossas responsabilidades.

O seu refúgio pode ser a sua mente! A sua mente pode ser um lugar seguro, de paz, sem muitas inquietações, e para isso é importante cuidar de si, identificar novas rotinas, dar atenção àqueles que convivem com você e fazer pausas durante o dia na sua rotina de trabalho. Estando bem com seu corpo e mente, os fardos emocionais se desfazem. Há também um papel importante por parte das empresas, é fundamental que se atentem a saúde mental de seus funcionários, assim como relata Alexandre Ayres, CEO da indself em uma live para a IstoÉ Dinheiro; “O adoecimento emocional é uma realidade que está custando muito caro para as empresas”.

De acordo com a OMS (Organização Mundial da Saúde) o Brasil é considerado o país mais ansioso e o quinto mais depressivo, portanto deve-se buscar por programas de capacitação e desenvolvimento das habilidades emocionais, que não estejam envoltas por um treinamento/acolhimento com o objetivo final de aumentar a produtividade. É importante fornecer ferramentas para que esses indivíduos se mantenham bem emocionalmente para exercer suas habilidades, e estejam prontos para descobrir novas competências. Assim, os resultados positivos em entregas e até mesmo novas soluções para uma corporação podem surgir como consequência.

Maria Eduarda Paes Ramos, é estudante de Relações internacionais – UFGD, estagiária de comunicação, parte do comitê jovem ASEC Brasil, Diretora de Comunicação do Site Dois Níveis, embaixadora da Saúde Planetária – USP, e voluntária para Atendimento Jurídico aos imigrantes venezuelanos e Haitianos na Catedra Sérgio Vieira de Melo – UFGD.