Relato de Experiência: “Falar de sentimento também é coisa de menino”

Como o estigma de que meninos não podem falar de sentimentos afeta suas vidas

Por muito tempo, a sociedade impunha que somente meninas tinham a liberdade de expressar seus sentimentos, já os meninos não. Sempre vemos os sentimentos de garotos sendo calados e minimizados. O relato do Kauã Vacileski nos mostra que sentimentos devem ser livres para serem sentidos e expressados, não importando o gênero. Kauã é um jovem de 15 anos, estudante e morador de Vitória, no Espírito Santo. Sua participação no “Promover para Prevenir” o ajudou a se sentir mais confortável para exibir seus sentimentos para outras pessoas, e a quebrar esse estereótipo em seu cotidiano.

Sabemos o quão prejudicial é esse estigma de que meninos não podem demonstrar sentimentos. Sempre tendo que viver escondendo-os e calando a si mesmos para que não sejam julgados pelos demais. Mas será se isso não é prejudicial para suas vidas?

“Esse estigma é prejudicial ao ponto de um menino se machucar. Por ele se sentir confortável apenas guardando tudo para si, ele não irá se sentir confortável de contar para ninguém o que sente. Como as pessoas já tem uma visão de que sentimentos não são ‘coisas de homem’, sempre iremos nos resguardar. Acredito que se não houvesse todo esse estereótipo, os meninos se abririam mais para diversas coisas, teriam a mente mais aberta. Vivemos mais fechados porque, se demonstrarmos o que sentimos, ouvimos muitas piadas desnecessárias, e, às vezes, preconceituosas.”

O estudante já foi vítima dessa preconcepção diversas vezes. As pessoas ainda retroalimentam esse discurso sem ter cuidado de como pode afetar negativamente os meninos. Falas como essas, anulam a possibilidade de garotos se sentirem confortáveis para se permitirem expressar seus sentimentos. Para Kauã foi algo doloroso e que reverbera impactos até agora.

“Nas vezes que isso ocorreu, eu realmente fiquei sem reação, sem saber o que fazer. Até hoje me sinto fechado em falar o que sinto paras pessoas, acabo guardando tudo para mim. Entendo que nós guardamos tantas mágoas que precisam ser libertas… Para isso, precisamos de acolhimento, que as pessoas saibam nos acolher e que entendam isso.”

O jovem complementa que os encontros do Caixa de Ferramentas Jovem o auxiliaram a se sentir mais confortável em se libertar. Relata que está sendo aos poucos, mas que ele está usando seu aprendizado e experiência para avançar cada vez mais.

“Com o Caixa de Ferramentas Jovem, eu vi formas de conseguir aliviar meus sentimentos, quais sentimentos eu estou sentindo, como eu posso me abrir mais para pessoas… Não está sendo fácil, mas gradualmente acontece. Quero conscientizar e compartilhar tudo o que aprendi com outros meninos que passam pela mesma situação.”